CONFESSANDO
Por Deus, Seu Padre, rogue a Deus um meio
de me afastar do pecado, Padre;
não deixe que Satã, como o receio,
num leito de Procusto já me enquadre.
Eu não jogo, eu não roubo, eu não odeio,
não tenho amante à guisa de comadre,
não faço mal nem digo nome feio:
eu quase, quase que sou santo, Padre.
Mas a gula... Sim, Padre, sou guloso:
minha fraqueza está neste pecado:
gostar de tudo aquilo que é gostoso.
Tenho a gula afiada como goiva:
não posso ver de perto bombucado
nem pôr os olhos num colchão-de-noiva. (*)
Autor: Nestor Tangerini
(*) Publicado no jornal O FLUMINENSE,
Niterói, RJ, 1927.
domingo, 16 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário