OS POETAS
Vai-se o primeiro explorador da musa...
Vai-se outro mais... mais outro... enfim dezenas
De poetas vão-se do Paris, apenas
O relógio da casa uma hora acusa.
E na noite seguinte a tropa intrusa,
Cantando em versos loiras e morenas,
Chorando as mágoas, desferindo as penas
À caixeirada deixa semi-fusa...
Também do botequim, onde os fregueses
Fazem lanches, um por um gringos, franceses,
Vão-se como esses vates imortais.
No lajedo da rua as pernas soltam,
Correm! Para o Paris os poetas voltam,
Mas os fregueses – qual! – não voltam mais. (*)
Autor: Nestor Tangerini.
(*) Publicado na revista COLYSEU,
Niterói, RJ, julho de l924,
com o pseudônimo João do Paris.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
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