sexta-feira, 11 de junho de 2010

JAIRZINHO E A COPA DO MÉXICO [1970]

JAIRZINHO, ARTILHEIRO DE 1970 NO MÉXICO

Nelson Tangerini

Há exatamente 40 anos o Brasil conquistava o Tricampeonato Mundial no México.
Como a Fla-Imprensa não faz questão de dizer que Jairzinho, do Botafogo, foi o artilheiro do Brasil naquela competição, com 7 gols, resolvi escanear uma foto do Furacão da Copa e colar a folha de papel no meu portão, com os seguintes dizeres: “Jairzinho, do Botafogo, artilheiro do Brasil na Copa do Mundo do México, em 1970, com 7 gols. Fez gols em todas as partidas”.
Algumas pessoas passavam pelo portão, viam a foto e liam o que eu havia escrito. Inclusive a nova geração, que nem sabe quem foi Jairzinho, porque a imprensa do Rio só fala em Zico.
Um dia, porém, quando conversava com a jornaleira, D. Antônia, um vizinho flamenguista aproximou-se de mim, com ar de superioridade, e iniciou um diálogo:
- Vi a foto de Jairzinho no portão de sua casa.
- Foi um grande jogador. Fiz esta pequena homenagem ao verdadeiro Imperador porque a imprensa do Rio não faz questão de se lembrar dele; afinal, foi jogador do Botafogo.
Desmerecendo o talento de Jairzinho, o xiita saiu-se com esta:
- Também, jogando ao lado de Pelé, Gérson, Rivellino e Tostão, tinha de ser Campeão.
Como costumo ler sobre a História do Futebol Brasileiro, mais do que qualquer flamenguista fanático, perguntei-lhe, com ar de deboche:
- A propósito, quantas Copas do Mundo ganharam Zico e Júnior?
O desinformado ainda tentou me dizer que as melhores Seleções foram as de Zico.
- E por que não ganharam? – perguntei. Para mim, prossegui, as melhores Seleções foram as que ganharam. O problema é que devemos o Tricampeonato ao Santos e ao Botafogo. E Santos e Botafogo não são os mais queridos da mídia. O Botafogo, por exemplo, deu 97 jogadores à Seleção Brasileira, sendo que 46 foram campeões mundiais em Copas do Mundo e outros torneios.
Enraivecido, o flanático bateu em retirada, certo de ter encontrado uma pessoa bem informada e que não deixa influenciar por uma imprensa alienante e abertamente flamenguista.
Para a imprensa do Rio, Botafogo, Vasco da Gama, Fluminense e os outros clubes não têm história nem tradição – só o Flamengo. Isto tem feito com que muitos torcedores, a torcida colorida, como maldosamente a Fla-Imprensa os chama, prefiram ler jornais de São Paulo e de Minas Gerais - e assistido aos jogos pela TV Bandeirantes.


Nelson Tangerini, 55 anos, é jornalista, escritor, poeta, compositor, fotógrafo e professor de Língua Portuguesa e Literatura. É membro do Clube dos Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini, e da ABI, Associação Brasileira de Imprensa.

nmtangerini@gmail.com, nmtangerini@yahoo.com.br

http://narzullo-tangerini.blogspot.com/
e
http://nelsonmarzullotangerini.blogspot.com/

quinta-feira, 27 de maio de 2010

TANGERINI, NITERÓI E O CAFÉ PARIS

NESTOR TANGERINI, NITERÓI E O CAFÉ PARIS

Nelson Tangerini

Nos Anos 1920, o Café Paris era o ponto de encontro de poetas e cronistas de Niterói.
Ali reuniam-se Luiz Leitão, Nestor Tangerini [piracicabano], René Descartes de Medeiros, Luiz de Gonzaga, Mazzini Rubano, Olavo Bastos, Apollo Martins, Mayrink, Oscar Mangeon, entre tantos outros.
Eram exímios sonetistas numa época em que os Modernsitas de 1922 decretavam guerra ao Parnasianismo de Alberto de Oliveira [fluminense de Saquarema, morador de Niterói], Raimundo Correia e Olavo Bilac.
Luiz Leitão e Nestor Tangerini [muito amigos] escreviam sonetos satíricos e davam continuidade à poesia satírica em língua portuguesa – tradição começada nas Cantigas Medievais Portuguesas [de Maldizer e de Escárnio], passando por Bocage, Tolentino, Gregório e Tomás Antônio Gonazaga [Cartas Chilenas].
Encontrei um caderno com anotações de Nestor Tangerini sobre o Café Paris, sobre a Niterói de 1920. A cidade fundada pelo Cacique Araribóia, nessa época, era a capital do Estado do Rio de Janeiro e uma das principais capitais do país.
Juntei essas anotações, alinhavei-as com textos meus e, penso, consegui salvar a memória literária do Café Paris e de Niterói.
Esses textos saíram em forma de crônicas e foram publicados nos jornais POLEGAR, de Novo Hamburgo, RS, O TREM ITABIRANO, de Itabira, MG, e VIA FANZINE, de Itaúna, MG. Lamentavelmente, não foram publicados jornais fluminenses, com exceção de uma crônica, publicada no jornal PROSA FLUMINENSE, de Niterói, RJ.
Niterói deixou de ser a capital do Estado do Rio de Janeiro e perdeu visibilidade. A imprensa da vizinha Rio de Janeiro pouco se importa com o que aconteceu ou o que acontece na antiga capital.
A Editora NITPRESS, de Niterói, publica, agora, todas as minhas crônicas relacionadas ao Café Paris. NESTOR TANGERINI E O CAFÉ PARIS – NITERÓI, RJ, 1920, que chega às livrarias em agosto próximo.
Missão “comprida” [com “o”]. Ainda há muita coisa a se falar e a se publicar sobre o CAFÉ PARIS.
www.nitpress.com.br / nitpress@nitpress.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

NELSON MARZULLO TANGERINI

A PROFESSORA DO BRASIL E A DO IRÃ

[Texto reescrito]

Nelson Tangerini

Na 2a. série do antigo Primário, na Escola Municipal Félix Pacheco, em Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro, fui aluno da Professora D. Maria José.
D. Maria José, que nunca se casou e se dedicava, também, de corpo e alma, ao magistério de Catecismo – era Católica Apostólica Romana -, morava na Rua Pernambuco, no Engenho de Dentro. Muitas vezes fui visitá-la. E acho até que eu era o único ex-aluno que a procurava e paparicava.
Lembro-me que, certa vez, meu pai escreveu uma trovinha para ela. Era Dia dos Mestres e eu deveria declamar esses versinhos, na hora em que eu fosse entregar-lha um presente, o qual não me lembro mais.
Enfim, apresentei-me e li a tal trova:

“À querida professora,
D. Maria José,
coração de educadora,
cheio de amor e de fé.”

Entreguei-lha a minha lembrança. E beijei-a.
Escrevo esta crônica pensando no presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (*), que, há pouco, homenageou, em uma solenidade, a sua ex-professora; beijou sua mão e abraçou-a, e foi duramente criticado pelos aiatolás e radicais islâmicos de seu país.
Sou um ocidental e não compreendo isto: como aquele país, a antiga Pérsia, uma nação tão rica, em termos de Histórias, heróis e cultura, parou no tempo e no espaço; como um presidente não pode beijar a mão de uma senhora que, um dia, encaminhou-o na vida. Porque nós, professores, burilamos seres humanos e os preparamos para viverem em sociedade, respeitando o semelhante e as diferenças.
O Irã, todos sabem, abandonou o Zoroastrismo, muito mais interessante, para abraçar o Islamismo. Arabeizou-se. Rendeu-se ao colonialismo árabe. Não pensem vocês que só existem colonialismo americano, francês, português, enfim, europeu.
E não me julguem islamofóbico. Até porque os islâmicos também são cristofóbicos. Seria natural do homem ser etnocêntrico e não aceitar o outro, a cultura do outro, a religião do outro?
Como vivem os cristãos, os judeus, os armênios e os homossexuais dentro da antiga Pérsia? Vivem em liberdade? São perseguidos? Não faz muito tempo, li no Jornal do Brasil que os homossexuais são condenados à morte no Irã.
Simplesmente, não me identifico com o Islamismo e quero ter a liberdade de dizer isto. Porque sou feminista e libertário.
Pensei, ainda, em outra trova de meu falecido pai:

“No Lar, a Mãe nos conduz
para a Fé e para o Amor;
na Escola, Templo da Luz,
quem nos guia é o Professor”.

D. Maria José faleceu em 2005, pouco depois de minha mãe, Dinah Marzullo Tangerini, que foi minha primeira professora. Gostaria de homenageá-la em público, beijar sua mão e abraçá-la. Outra vez. Justamente neste momento em que o mestre nada vale no Brasil e no Irã.
Sou um ocidental, respiro liberdade, e jamais seria incomodado por aiatolás preconceituosos e doentes.
Nós, professores, queremos um mundo livre. Não queremos um mundo autoritário. Queremos um mundo onde a mulher possa competir livremente com o homem e um homem possa homenagear uma mulher que, um dia, o ensinou as primeiras letras e mostrou-lhe um caminho a seguir.
Infeliz da sociedade que nega o professor e a mulher. É um mundo decadente, hipócrita, pobre e podre.
Algo precisa mudar no Irã – e no Brasil.


(*) O presidente Mahmoud Ahmadinejad é amigo do ditador Hugo Chávez.



Nelson Tangerini, 55 anos, é professor de Língua Portuguesa e Literatura, escritor, poeta, compositor, jornalista e fotógrafo. É membro da ABI, Associação Brasileira de Imprensa, e do Clube de Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini.

n.tangerini@uol.com.br / nmtangerini@gmail.com

http://narzullo-tangerini.blogspot.com/
http://nelsonmarzullotangerini.blogspot.com.br/

segunda-feira, 24 de maio de 2010

NESTOR TANGERINI

OS POETAS

Vai-se o primeiro explorador da musa...
Vai-se outro mais... mais outro... enfim dezenas
De poetas vão-se do Paris, apenas
O relógio da casa uma hora acusa.

E na noite seguinte a tropa intrusa,
Cantando em versos loiras e morenas,
Chorando as mágoas, desferindo as penas
À caixeirada deixa semi-fusa...

Também do botequim, onde os fregueses
Fazem lanches, um por um gringos, franceses,
Vão-se como esses vates imortais.

No lajedo da rua as pernas soltam,
Correm! Para o Paris os poetas voltam,
Mas os fregueses – qual! – não voltam mais. (*)



Autor: Nestor Tangerini.



(*) Publicado na revista COLYSEU,
Niterói, RJ, julho de l924,
com o pseudônimo João do Paris.

SOBRE NESTOR TANGERINI

"Hoje, humorista é qualquer
gaiato ou contador de anedotas.
Tangerini , porém, é do
quilate de Gregório de Matos,
Artur Azevedo, Bastos Tigre e
Berilo Neves, isto é, humorista
na velha e legítima significação
do termo.
E como devemos dizer agora,
um humorista de classe."

A. Rocha Pinto

Da revista VIDA NOVA, Pág. 13,
Natal de 1947

sábado, 22 de maio de 2010

NESTOR TANGERINI / EM NITERÓI

























Uma página do Café Paris:
Anotações de Nestor Tangerini.
Niterói, RJ, Anos 1920.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

NELSON TANGERINI / EM NITERÓI


























A história literária de Niterói:
Fragmento do Café Paris:
Soneto de Nestor Tangerini.